sábado, 11 de maio de 2013

O JUSTO E O TARADO





Eram dois homens, o justo e o tarado.
O justo era casado, o tarado não.
O justo amava sua mulher, o tarado também amava a mulher do justo.
O justo trabalhava no banco, o tarado era atendente de telemarketing.
O justo saia do seu setor duas vezes por dia para tomar um café, o tarado saía do seu setor onze vezes para a pratica do onanismo.
O justo levava flores para sua mulher, o tarado também levava flores para a mulher do justo.
O justo fazia amor com sua mulher todos os Sábados, o tarado fazia amor com a mulher do justo todos os dias, menos aos Sábados.
O justo gostava de ler, o tarado via as fotos.
O justo tomava vinho, o tarado tomava o que tivesse.
O justo gostava de assistir ao futebol, o tarado gostava de fazer gols.
Um dia, o justo encontrou o tarado deitado em sua cama com sua mulher nua.
O justo fez um gesto com as mãos como se pedisse desculpas e fechou a porta do quarto.
Depois de alguns minutos, o tarado saiu do quarto ainda colocando as calças.
O justo ofereceu-lhe uma água, o tarado aceitou.
Intrigado, o tarado perguntou para o justo:
- Meu amigo, eu tenho feito amor com sua mulher todos os dias, mando flores pra ela e envio poesias quase que toda semana. Agora você me pegou na cama com ela e ainda me oferece água. Como pode?
E o justo respondeu:
-Sim, eu sei. Entendo sua curiosidade, acontece que eu não sou tão afim dela como você. E nem tenho tanta libido também. Eu vi que você estava fazendo bem a ela e por isso não reclamei, achei justo.
O tarado, surpreso respondeu:
- Nossa, você é muito justo mesmo. Mas agora, tenho que ir embora, sua mulher acabou comigo hoje. Boa tarde.
E o tarado virou as costas e caminhou em direção à porta. Nesse momento, o justo pegou uma metralhadora e perfurou as costas do tarado, que caiu morto e lavou o chão com o sangue que não parava de vazar de seu corpo.
Depois, foi ao quarto e descarregou a arma em sua mulher.
O justo voltou à sala, olhou aquela cena vermelha e fria, pegou seu paletó e tranquilamente disse:
- Justo.


sábado, 4 de maio de 2013

O Tenebroso



Noite fria e úmida, silêncio na cidade.
Um barulho ecoa pelos becos e ruas, sistemáticos passos preenchem o vazio da madrugada.
A chuva parou, mas ainda ficaram algumas poças de água.
Os passos param, assim, de repente. Um homem sai de um prédio no meio da noite e assustado caminha rapidamente em direção à Ponte San Remo.
Aquele homem, misteriosamente, jamais chegou à ponte.
No dia seguinte, a mesma rotina, dessa vez, o velho Jhusinsk fecha a biblioteca e sai correndo, ele estava com medo por ter perdido a hora.
Nunca mais viram o velho Jhusisnk.
Ao amanhecer, o jornais anunciavam:
"Extra! Extra! O tenebroso ataca novamente!"
Todos ficaram apavorados, o mendigo da cidade sentou-se ao chão e começou a assoviar a canção"Volare", sem demonstrar preocupações.
A pessoas perguntavam:
- Você não está com medo do Tenebroso, Duas doses? (esse era o apelido dele)
Mas o pobre Duas doses apenas gargalhava e não parecia preocupado.
Então, depois que a notícia saiu, os sumiços pararam e a cidade parecia estar bastante tranquila.
Até que um dia, em 02 de Fevereiro de 1869 foi registrado mais um caso de desaparecimento.
- Mas que diabos!
Dizia o delegado.
Ninguém tinha uma pista ou motivo para a volta do Tenebroso à cidade, porém, dessa vez eles não sabiam se era o mesmo Tenebroso. Afinal, muitos anos se passaram e as pessoas estavam certas de que o tal Tenebroso deveria estar velho demais para perseguir alguém. Por isso, começaram a desconfiar que aquele não era o verdadeiro Tenebroso, mas outra pessoa se passando por ele, algum doente que queria manter o legado do Tenebroso.
Os dias viraram semanas, as semanas viraram meses e os meses viraram anos, até que uma noite, a vítima do tal Tenebroso conseguiu fugir e foi prestar depoimento na delegacia local.
"Delegado, delegado! Ele tentou me pegar, foi horrível!"
Então o delegado disse:
"Calma, rapaz. O que houve, o que você viu?"
Ainda assustado, ele respondeu:
"Não vi nada, foi tudo muito rápido, mas havia uma música, ele assoviava uma música!"
O delegado intrigado quis saber da tal música. O rapaz assustado respondeu:
"Volare! ele assoviava Volare!"
Então, na manhã seguinte, todos os jornais locais anunciavam:
"Extra! Extra! O Tenebroso é o velho Duas doses, e ele ataca novamente!"
A cidade inteira ficou pasma com a notícia, menos R. Wornest, o maluco da cidade. Ele apenas sentou e começou a assoviar a música "Torna a Suriento".