Quando eu anunciei para os amigos mais próximos que estava indo para a Rússia, muitos deles me alertaram sobre o frio.
Diziam que eu estava maluco e que não havia nada de interessante para eu ver na Rússia, mas eu nunca concordei com isso, mesmo porque eu adoro beber e adoro mulheres, sei que a Rússia tem boa fama em ambos.
Ao chegar no aeroporto recebi a péssima notícia de que meu avião precisou de uma manutenção de urgência e iria demorar umas três horas para decolar. Na verdade as três horas se transformaram em sete horas e eu recebi outra má notícia, minha mala tinha que ser despachada em outro avião porque não caberia mais bagagem no voo que eu estava. Droga.
Eis então que me vejo no aeroporto de Moscou, havia dado certo, eu estava na Russia pronto para distribuir um pouco de amor tupiniquim para as gatinhoviskis gostosovisks. Tudo ia bem, quando um segurança chamado Ivan me falou em russo que minha mala havia extraviado e que eu poderia pegar uma das malas dos achados e perdidos que já estavam a mais de um ano no aeroporto.
Demorei para entender o que aquele rapaz de sobrancelhas grudadas dizia, depois fui encaminhado à sala de achados e perdidos para escolher minha nova bagagem, até eles encontrarem a minha e encaminharem meus pertences ao hotel.
Havia tanta opção que eu não sabia qual mala escolher, todas estavam fechadas e sem descrição, portanto, escolhi uma que parecia ser de homem e torci para ter roupas do meu tamanho e com sorte alguma grana.
Saí do aeroporto então com minha nova bagagem, agora eu era o sr. Takito Uemura, tirando o fato de eu ser loiro, tudo parecia normal para quem me via saindo com a mala.
Quando cheguei no hotel, peguei minha chave mestra, cortesia do porto-riquenho que trabalhava no aeroporto e abri minha bagagem para ver o que eu poderia utilizar, afinal, eu queria mesmo era ferver na noite fria de Moscou.
Quando abri a mala percebi que tinha acabado de me fuder, encontrei uma tanguinha de estampa de onça, um chicote de dominatrix e alguns cards de jogadores de baseball. Acho que o sr. Takito Uemura deve ser um cara bizarro pra caralho, mas já que eu só tinha aquilo, vesti minha tanguinha, continuei com minha roupa de frio e fui para um bar próximo ao hotel ver se arrumava companhia para alguma balada.
A princípio não vi nada de especial, havia uma mesa com uns caras que pareciam estar discutindo política, ou não, eles falavam russo e uma moça de costas no balcão com roupas apertadas e cabelos longos e amarelos.
Obviamente eu me aproximei da moça, ela deu uma olhadinha de canto de olho, eu sorri, ela voltou as costas para mim outra vez e eu pedi uma Vodka.
Depois de umas oito doses, eu ainda estava na mesma situação, porém, bem mais bêbado. Foi quando a moça se virou para conversar comigo. Eu ri quando percebi o pomo de adão, mas naquela altura do campeonato eu não estava nem aí, se fosse para começar a viagem saindo com um travesti tudo bem, desde que fosse um travesti russo, pelo menos isso eu exigia, afinal, a viagem não foi barata.
O traveco começou a falar russo e eu não entendia nada, pensei: "dei sorte, é um travesti russo", mas depois percebi que não era uma situação muito digna para a minha masculinidade. Eu não sabia o que dizer, estava bêbado demais para pensar e não sabia falar uma só palavra em russo, então, resolvi fazer comunicação corporal. Abaixei um pouco a calça e mostrei minha tanga de onça, aquela que pertenceu ao sr. Takito Uemura.
A moça de gogó e mãos maiores do que as minhas gostou, passou a mão na minha nádega esquerda e me levou de volta para o hotel. Até aí, eu estava tentando ver "o copo meio cheio" como dizem os otimistas, entrei com a boneca no meu quarto e novamente pensei: "dei sorte, é um travesti russo".
O meu companheiro garota de roupas curtas me deitou na cama e me deu um beijo na boca. Senti o bigode por fazer me coçar o busso, ri encabulado, me senti muito gay naquele momento, mas tentei abrir a mente.
Depois ela foi ao toilet e eu deitei na cama para esperar, porém, peguei no sono e quando acordei estava pelado e sem nenhum dos meus documentos, não havia nada, por isso não pude pagar o hotel e saí nú pelas ruas frias de Moscou, entendeu, oficial.
Agora eu lhe imploro, me mande de volta para o Brasil, só quero esquecer essa viagem e retomar minha vida, pode ser?
-Tudo bem, o seu consulado já sabe da sua situação, o senhor tem alguma pergunta antes de volta para seu país?
Na verdade sim, posso?
-Por favor.
Você tem o número de telefone do travesti que me usou?
-Adeus.

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