quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mágicas, truques e batedores de carteiras.


Em uma  rua de certo movimento numa capital brasileira um mágico se apresenta para a população que transita infindávelmente no período da manhã.
Com um caixote de madeira improvisando uma mesa, ele grita mentiras e exibe algumas mágicas tradicionais muito mal representadas. Seu nome é Washington.
Alguns garotos que param para olhar o mágico se decepcionam ao descobrirem os truques fajutos do charlatão.
Mas o que poucos sabem é que ele não está lá para agradar as crianças, ele só quer ganhar dinheiro. Com um comparsa que se faz passar por civil e fica insentivando a compra das mágicas, ele distrai as pessoas enquanto um segundo "ajudante" bate carteiras.
Assim, ao fim do dia eles encerram as apresentações e sentados num botequim de ultima categoria dividem os lucros.
Do outro lado do globo, ao norte da Itália, um outro mágico exerce atividade parecida à do "artista" estelionatário, porém, não há sinal de maldade em suas apresentações, ninguém parece tentar coagir o público, as carteiras continuam nos bolsos e as bolsas podem ficar com os seus zíperes abertos. Seu nome é Lucca.
O público aplaude e se afasta, alguns poucos insistem em deixar uns trocados, ele agradece e sorri. Ao fim do dia ele encerra sua apresentação e com fome volta para a pensão onde mora de favor.
Já no Brasil, após dividir os lucros em 60%, 20% e 20% entre os três, Washington e sua trupe voltam para as suas casas. O jantar é servido por suas esposas e quase sempre os filhos comentam algum fato curioso do colégio. Inocentes, criticam os golpistas por influência dos professores. Um CD falsificado de uma banda de forró se encarrega da trilha sonora do jantar, depois, um DVD falsificado entretem a família com um lançamento que ainda está sendo exibido nos cinemas.
No dia seguinte a rotina se repete e é assim de Segunda à Sexta-Feira, que Washington e seus camaradas ganham a vida. O ponto nunca é o mesmo, afinal, muitos só se davam conta da falta da carteira em casa, certamente voltam ao lugar no dia seguinte, e aí, o mágico não pode se dar ao luxo de "aparecer".
Lucca, por outro lado, sente queimar o frio europeu e não se cansa de tentar melhorar sua condição financeira honestamente.
 Há quem diga que Lucca está certo e Washington não passa de um oportunista desonesto, normalmente são os conservadores que insistem nessa opinião. São eles também que compram as mágicas baratas de Washington para presentear seus filhos de classe média. E são eles também que falam em insentivo à cultura e  melhores condições de vida para os pobres, mas não admitem R$10 de aumento no salário de suas diaristas.
Para esses, Washington está errado não por roubar e enganar as pessoas, mas por querer ter uma sintuação melhor.
Afinal, senhoras e senhores, quem é o mágico e quem faz mágica nesse caso?


Mutante Di Amsterdam-FGF

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