terça-feira, 14 de junho de 2011

A ave da erudição no lago dos patos


O que sabem os eruditos?
O que faz um ser humano se considerar ou ser considerado um erudito?
Seria o saber? Seriam as boas maneiras?
Será que os eruditos sabem o que penso deles?
Se a erudição é adquirida sobretudo pela leitura e pelo estudo, então estou com Arthur Schopenhauer.
Quanto mais se lê, menos se sabe. As informações se tornam superficiais, a leitura sobre determinado assunto se torna um fim, quando deveria se tornar um meio.
Tomemos como figura comparativa o pato, uma ave que atualmente é usada pelas grandes corporações como exemplo de estereótipo do comportamento adequado a um profissional de empresa.
O pato exerce uma série de atividades mas não é exímio em nenhuma delas. Nada, mas não é marinho. Anda,  mas não é terrestre. É uma ave, mas não voa.
Mas então que droga de animal é esse? Esse é o erudito.
Mas pode ser que não, pode ser que eu esteja errado, já aconteceram outras vezes.
Comparar um erudito a um pato pode ser uma ofensa, para o pato.
Radicais e arrogantes se julgam os donos do saber, da verdade e do bom gosto. Não que eu tenha algo contra a espécie (me refiro aos eruditos), eu apenas me questiono se o indivíduo que realmente exerce o saber sobre algum assunto tem tempo ou interesse em divulga-lo ou exibi-lo para aqueles que não o possuem.
O comprometimento deve ser tão grande que lhes toma a vida. Para se saber de algo qualquer, aquele que o faz se intrega em período integral a sua escolha. Não há tempo de aprender outras coisas ou ler mais sobre outros assuntos, senão, não será detentor do saber sobre o que lhe interessa saber. Pelo menos não do saber absoluto, mas sim do conhecimento superficial e assim atuam os eruditos.
Há tanto para se saber que não conseguiremos saber de tudo e sabemos disso, mas os eruditos não, eles insistem em serem eruditos em suas reuniões eruditas sobre superficialidades e coisa alguma.
A inteligência de uma raça como a nossa é finita e está em constante decadência, penso até em mencionar a lei dos rendimentos decrescentes, porém, antes que eu decida isso eu já o fiz.
Então, retomando um pouco o raciocínio, se o funcionário ideal para uma empresa é aquele a quem comparam a um pato, me sinto ridículo em uma sociedade imbecil e descartável.
Mas se eu estiver errado, me sentirei ridículo e esperançoso, o que pode agradar aos eruditos.
Por quê?
Essa é outra questão.


Mutante Di Amsterdam-FGF

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