quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vizinho do container

fornecimento do preço da habitação modular personalizado contêinerEnquanto milhões de pessoas se dirigiam a seus trabalhos e o sol ganhava o céu com seu explendor celestial digno de louvor pagão, eu dormia deitado num colchão de molas que ganhara de um revendedor amigo de meu tio Asnoelio.
Para o desprazer de meu sono, fui subtamente acordado por um estrondo vindo do terreno que fica de fronte à minha casa.
Ainda sonolento e com um princípio de ereção me dirigi até a janela da sala enquanto retirava uma remela que mais parecia uma avelã no meu olho direito.
Foi então que notei um container instalado na frente da minha casa, um desses containers de carga, lacrado com uma janela e um caminhão que sumia no horizonte rumo a rua de baixo que dá acesso a uma avenida de grande movimento.
Ainda um pouco sonolento e surpreso resolvi me vestir e sair para ver de perto o container, acho legal ter um container mas não tenho. Vesti minha camiseta de ficar em casa, uma bermuda de basquete e calcei minhas botas, saí e respirei o ar poluído da cidade que moro.
Em volta do container não havia sinalização nenhuma, parecia estar fechado por dentro, o que achei muito estranho, então resolvi ficar nas pontas dos pés e olhar pela janela para enchergar o lado de dentro.
Para meu espanto e surpresa, havia um chinês dentro do container, aparentemente ele morava lá. Tinha uma cama baixa no canto oposto, uma geladeira que era usada como armário uma mesinha de TV com uma TV e várias caixas de papelão. Levei um susto enorme quando o chinês pôs seu rosto na janela de supetão e me sorriu com seus dentes podres de chinês.
Ele começou a falar sem parar, mas eu não conseguia ouvir uma palavra sequer por causa do vidro da janela, então sinalizei para o chinês apontando para meu ouvido e fazendo o gesto do "não" e ele abriu a porta do container rindo da situação embaraçosa. No movimento de abertura da porta, fui tomado por uma onda quente e mal cheirosa do ambiente.
- Bom Jia!
- Bom dia, chinês. O senhor mora nesse container?
- Chun morar aqui. Chun pode ser seu vijinho?
- Não sou eu quem decide isso.
- Ah. Tá bom né.
-Tá.
Voltei para a minha casa e liguei a TV, ainda pensando na bizarrice do "china", resolvi voltar e perguntar se ele gostaria de tomar alguma coisa, não me lembrava de ter visto comida naquele container.
- Hey, Chun.
- Plonto?
- Você quer tomar alguma coisa ou comer?
- Obligado, mas Chun espela amigo que já vem vindo, né. Eita, olha ele aí.
Então me aparece um anão esticando a mãozinha para me cumprimentar.
- Bom dia, senhor. Sou o Altonir.
- Bom dia Altonir, seu nome é uma brincadeira com sua condição de anão?
- Na verdade não, quando fui registrado minha família não sabia do nanismo.
- Entendo, nesse caso me perdoe.
- Tudo bem. Olá Chun!
Para completar a cesta de horrores que eu estava provando naquela manhã, o anão deu um beijo de língua no chinês.
- Altonir e Chun são namolados, eheh. Chun tá in love né.
- Tudo bem, então. Chun, me diga uma coisa, o que tem nessas caixas de papelão?
- Tem quase tudo: tênis, loupa, Ipad, Iphone, Vídeo-game, meias, DVDs e um pouco de maconha que Chun ganhou na bliga de galo né.
- Mas que droga de chinês, Chun! Vamos fazer negócio meu amigo!
- Ehehehe, Chun gosta! Quer beijar na boca aveludada de Chun também? Altonir não liga.
- Não ligo mesmo!
- O quê?! Não, seu chinês doente! Vou ficar só com as mecadorias mesmo, obrigado.
Aquele anão me assustava, devo confessar.
Então, até hoje compro tudo do Chun, muito barato e na frente de casa. Maravilha de dia o dia que se mudou o vizinho do container.


Mutante Di Amsterdam-FGF

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