domingo, 5 de junho de 2011

Zeca do Arco- capítulo 3: O misterioso animal da Amazônia.

Quando Robson atendeu ao telefone da rodoviária ele agradeceu a confiança de José Carlos da Silva, o Zeca do Arco. O super-herói do governo brasileiro estava precisando de uma passagem para a Amazônia e Robson, ou Robinson como pediu para ser chamado, arrumou com sucesso a passagem de ida e volta para o arqueiro.
Jose Carlos recebeu a ligação do governo na Segunda -Feira de manhã, Claudio relatou o caso de um animal misterioso que estava comendo as fezes dos animais nas propriedades privadas da Amazônia. Ninguém conseguiu ver o bicho e nem capturá-lo até o momento, então, Zeca do Arco foi acionado para resolver o problema.
Enquanto fazia as malas, Zeca explicava para sua esposa Steicy, que ficaria fora por duas semanas, explicou também o problema que iria tentar resolver:
- Por isso, meu amor, tenho que partir e servir meu país.
- Servir seu país? Deixa de ser ridículo Jose Carlos. Te mandaram pegar um comedor de bosta aí e você tá se achando o Jeimes bondi!
Zeca ficou bastante magoado com a frase de sua esposa, nunca teve o apoio de Steicy, mas agora ela estava também ofendendo. Como já estava atrasado para o ônibus ele não discutiu, pegou sua bagagem e saiu.
Na rodoviária Robinson o aguardava ansioso, entregou a passagem e desejou boa sorte para o herói.
Jose Carlos adormeceu logo que o ônibus saiu da rodoviária rumo a Amazônia, ele tentou relaxar e se focar na missão, afinal, ele não sabia nem por onde começar a caça ao tal animal misterioso.
Muito tempo se passou e ele acordou ainda na metade do caminho, muitos ainda dormiam quando Zeca, surpreso gritou:
- Puta que pariu! Que burro!
Ele percebe que esqueceu o arco e as flechas em casa, agora Zeca era um arqueiro sem arco e mesmo assim deveria cumprir sua missão, não dava mais tempo para voltar.
Chegando na Amazônia Zeca é recepcionado por Zuleika, uma nativa muito sensual que acolhe o herói:
- Seja bem vindo, senhor José.
- Por favor, moça, Zeca do Arco.
- Sim, perdão.
- Tudo bem acontece. Bom, quer dizer então que a senhorita vai me encaminhar ao hotel? O que reservaram pra mim, um hotel 5 estrelas? Um quarto presidencial, igual ao do Kevin no “Esqueceram de mim 2”?
- Bem, na verdade não. O governo não liberou a verba, então o senhor vai dormir no sofá da casa de um dos moradores mesmo.
- Ah tá. Bom, tudo bem, quer dizer, pra que essa frescura toda de hotel não é mesmo? Estou aqui a trabalho e tenho uma caça a fazer.
- Isso! Muito bem! Agora me diga, zeca do Arco, cadê seu arco e suas flechas?
- Tudo a seu tempo minha jovem, tudo a seu tempo.
Sem graça, Zeca não quis dizer que havia esquecido a arma em São Paulo. Foi acompanhando Zuleika até que chegaram na casa humilde de dona Matilde e seu Ozório.
Dona Matilde mostrou não gostar da presença de Zeca em sua casa, mas não havia outra opção, tinha que permitir a hospedagem de José. Matilde cuspia no chão quando Zeca passava, seu Ozório ria sem parar e não fazia mais nada. Zeca resolveu sair e perguntar para os moradores o que estava acontecendo exatamente para depois pensar em uma solução. Seu relatório final foi:
Algum ser, animalesco ou não, tem aparecido nas madrugadas em pastos e campos privados e comendo as fezes dos animais, em especial das vacas.
Ninguém jamais viu ou ouviu alguma coisa, nenhuma das armadilhas convencionais já pegaram o misterioso animal, todos estão tendo prejuízo com gastos em segurança e estão tendo que importar adubo, pois sem o esterco não se faz adubo.”
Depois de analisar os fatos, Zeca do Arco pegou um arco emprestado e resolveu que iria passar a noite em claro para ver se encontra o inimigo público comedor de bosta.
Quando entrou na cozinha da casa da dona Matilde, se surpreendeu ao ver a velhinha jogando veneno em seu prato de comida.
- Dona Matilde, por favor!
- Ah, vai pro inferno seu vagabundo!
- A senhora pode ser presa sabia disso?
- Cala boca, sai da minha casa.
- Logo menos sairei, vou cumprir minha missão a senhora querendo ou não.
E Zeca saiu com o arco emprestado e ouvindo as gargalhadas de seu Ozório.
No meio da madrugada então, Zeca ouve um barulho estranho no quintal de um morador local. Muitos bezerros se afastam assustados e ele vê a silhueta do comedor de esterco no curral. Sem pensar duas vezes, Zeca prepara sua flecha emprestada e atira no meio do corpo do bicho.
Então ouve-se um grito:
- Aaaahhhh quem foi o filho da.....
- Opa! Eu conheço essa voz. Quem está aí?
E para a surpresa de todos, Zeca encontra dona Matilde com a boca suja de merda e uma flecha presa na nádega esquerda.
- A senhora? Claro, por isso queria que eu fosse embora!
- Você é um vagabundo!
- Nossa, por favor, alguém tem uma balinha aí?!
Todos riram, Zeca salvou a Amazônia do tal bicho misterioso comedor de esterco e estava pronto para voltar para casa, mas antes, perguntou para seu Ozório se ele nunca havia desconfiado da ausência da esposa nas madrugadas:
- Seu Ozório, o senhor nunca desconfiou?
- Eu sempre sube meu jovem. Por que o sinhô acha que eu ria tanto? Você também acharia graça se sua muié fosse comedora de bosta.
- Ahahaha, acho que sim, acho que sim.
Zeca abre uma cerveja e espera o horário do ônibus para voltar para casa. Com o sentimento de missão cumprida e um pouco embriagado ele se despede do povo da Amazônia e dorme. Afinal, ainda tem uma viagem longa pela frente.



Mutante Di Amsterdam-FGF

Nenhum comentário:

Postar um comentário