quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cézar Kahda Dent'áhria, o boca de bosta.

Cézar Kahda Dent'áhria tem problema nos dentes.
Filho de um lituâno homossexual e uma manicure boliviana, Cézar já começou errado.
Ainda menino, Cézar costumava levar muitos tapas na boca, principalmente de Consuello, sua mãe, ele gostava de falar palavrões e isso incomodava seus pais, que só queriam dar uma boa educação ao seu filho.
Aos sete anos de idade, quando brincava em frente ao salão de beleza de seu pai na pequena e pacata cidade de Porto Suarez, que não tinha mais de doze mil habitantes, Cézar foi pego de surpresa pela sua mãe justamente enquanto cantava a canção de sua autoria que era mais ou menos assim: "O cú do porra saco,
na puta que pariu, fudeu o merda e o porra na bunda do piu piu".
Naquele momento Cézar tentou se esconder embaixo do avental de seu pai, mas notou que Rámon já estava lá, então ele fechou os olhos e tentou relaxar, Consuello pegou seu tamanco de sola de madeira barata e deu de direita na boca suja de seu filho.
Cézar, para o espanto de todos não chorou, o rosto vermelho do menino estava adormecido e ele não sabia se estava acordado ou se sonhava. De repente, o pequeno Cézar abre a boca e deixa cair um dente.
Consuello ficou preocupada, afinal, ela viu que aquele já não era mais um dente de leite, era definitivo, mas para seu próprio conforto e afim de se livrar do sentimento de culpa ela completou: "pare com os palavrões e os doces também, já está com os dentes fracos".
Cézar pensou em argumentar, mas ainda estava um pouco confuso. Daquele dia em diante, os problemas bucais do menino só pioraram. Quando ia para a escola ele sofria Bulling, por conta de seu mal hálito.
Ao se queixar com seu pai, que era um homem bastante alegre, foi orientado a levar tudo na brincadeira e sempre que fosse possível, chupar um drops. Ao dizer "chupar um drops" o pai de Cézar fechou os olhos e mordiscou o beiço, o garoto não entendeu mas seguiu o conselho.
Então,no dia seguinte na escola ele foi recepcionado assim:
-Nossa, Cézar, você por acaso comeu bosta no café da manhã?
Ele pensou em chorar e correr, como costumava fazer, mas lembrou dos ensinamentos de seu pai e levou tudo na brincadeira respondendo:
-Comi sim, mas sem cebola para não dar bafo.
Todos riram e aos poucos Cézar ia se enturmando mais e mais e também desenvolvendo um talento especial em se relacionar com as pessoas, mas seu hálito ainda era um problema, mesmo para aqueles que gostavam dele. Sempre que ia conhecer alguém ele tinha que ficar quieto e mostrar um bilhetinho para a pessoa que dizia: "Olá, meu novo amigo(a). Sou o Cézar e sofro de um problema bucal raro, não tenho todos os dentes e os que ficaram estão apodrecendo na minha boca, fazendo com que eu tenha um hálito de merda misturado com animal morto. Vamos brincar?" Isso funcionou por um certo tempo, mas conforme Cézar foi crescendo os problemas foram aumentando.
Sempre que alguém fosse se referir a ele, o chamava pelo nobre pseudônimo de "boca de bosta", então na faculdade o professor dizia: "fez o trabalho, sr. boca de bosta?" e coisas do tipo, o que sempre fazia com que os outros alunos rissem de Cézar. O fato de ele não conseguir uma namorada também o incomodava, só não era virgem porque frequentava burlescos, mas por mais dinheiro que oferecesse, ninguém o beijava.
Tristes então viraram os dias do boca de bosta, digo, de Cézar Kahda Dent'áhria, até que seu amigo de infância Juarez "sem nariz" Waldez, lhe mostrou uma matéria do jornal local que falava sobre a internet e a possibilidade de as pessoas se comunicarem por "WebCams", sem contato pessoal, porém ao vivo.
Cézar achou aquilo incrível, vendeu a coleção de pelos pubianos de estrelas de Hollywood de seu pai e comprou um computador.
Dali em diante, ele descobriu que podia se comunicar com o mundo todo, deu palestras, fez campanhas on line para insentivar pesquisas sobre seu problema bucal, lançou uma banda de mambo gospel e descubriu as maravilhas que a industria pornográfica pode oferecer se você aceitar entrar em sites alegando ter mais de 18 anos.
Hoje ele espera seu  ultimo dente podre cair, para poder sair e ter uma vida normal, banguela e alegre aos vinte e dois anos.


Mutante Di Amsterdam-FGF

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