Nesta última Quarta-feira (13/04/2011), além do super feirão de frutas e legumes das redes de hipermercados também foi anunciado para o mundo o novo acordo entre Brasil e China que permite a produção tupiniquim do tablet sem açúcar mais vendido no mundo, o iPad.
Não pude deixar de notar a primeira reação das pessoas quando ouviram a notícia, salvo algumas excessões, a grande maioria logo de cara mandou um: "Oba, vai ficar bem mais barato!"
Isso, se deve ao fato de a maioria dos doze ou treze seres humanos que eu acompanhei terem lido apenas as manchetes e não se atentarem muito às notícias.
Há uma lógica indiscutível no pensamento do consumidor de que se o produto for feito aqui o preço tende a abaixar, porém, a autonomia produtiva brasileira vai só até a segunda página.
Primeiro balde de água fria(ou podemos até chamar de caneca vai...): o Brasil tem autorização para produzir apenas a tela dos tablets, os materiais devem ser importados para que se monte o tal do iPad, isto é, com o Governo tentando reduzir a entrada do dólar no país, a importação não deve sair barata, pode separar o "dos tributos" aí, ainda há uma preocupação em relação à valorização do Real, que por sinal já era de se esperar, estamos presenteando nossos brothers com 11,25% de taxa de juros, além do fantasma da inflação, que insiste em querer assombrar o Governo.
O segundo balde, e esse realmente é de dar vergonha alheia: foi anunciado um investimento de 12 milhões de dólares e 100 mil novos empregos nessa brincadeira.
A não ser que eles pretendam "roubar" todos os funcionários das outras empresas, já podemos avisá-los: " não vai rolar". O brasil tem um défict de tecnologia da informação de 92 mil funcionários. Será tão fácil ensinar esta tão recente e polêmica discipilna, será possivel juntar "uma galera" no Pacaembu e administrar uma vídeo-aula? E um "Intensivão", como fazem nos cursinhos, aqueles que combram mais que as faculdades? Creio que não.
Portanto, meus caros, me parece uma situação não muito clara ainda, resta agora esperar e ver como se desenrola-rá essa trama, onde a falta de profissional qualificado mais uma vez preenche as vagas, é como dar uma caneta para um recém nascido e lhe dizer:"parabéns, agora escreve aí o que eu vou ditar."
São momentos como esses que me fazem pensar na globalização com um carinho especial, vejam só, o Brasil, negociando com a China, fazendo um trabalho de Português, que lindo.
Enquanto iPods e iPads ganham seus devidos espaços no consumo mundial, eu termino por aqui esse texto, porém com uma dúvida, se um produto apresentar algum tipo de defeito ou ser de baixa qualidade, ainda poderemos dizer:"tinha que ser made in china"? Sabe-se lá até quando.
Mutante Di Amsterdam-FGF
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