Na manhã amena daquele 21 de Março, José Carlos não esperava ser acordado por ninguém, ele estava sonhando com Vera Fischer, eles estavam numa suite no Copacabana Palace e ela estava toda carinhosa com ele. Ela dizia amá-lo e admirá-lo e dizia também que nunca havia se deitado com um super herói antes, ele estava prestes a beijá-la quando acordou ao som da doce voz de Steicy Silva, sua esposa:
-Pode acordando aí seu vagabundo, que porra de emprego é esse que você num sai de casa caraio?! Tá estranho isso aí Zé, pode levantar que hoje cê vai lavar umas loça. José Carlos odiou sua mulher naquele momento, mas preferiu se calar. Enquanto lavava a louça suja, pensou no tempo que havia se passado desde o convite para ser o herói Zeca do Arco até agora, já estava completando seis dias e nenhum telefonema, telegrama, scrap ou twitter, José limpava seu arco todos os dias, separava e passava uma flanela nas suas flechas uma por uma, e olha que são trezentas flechas, nunca precisou de nada disso, ele já estava até considerando a hipótese de aquilo ter sido um trote ou uma daquelas "pegadinhas" da TV. Chateado e com vontade de fazer cocô, Zeca do Arco estava arrependido de ter levantado naquela manhã.
Mas como Zeca é brasileiro e brasileiro tem que se fuder, aquilo foi só para testar a paciência do herói, pois as onze horas daquele mesmo dia o telefone tocou. José Carlos correu e atendeu eufórico e um pouco dispineico:
- Alô, alô, pode falar!
-Sr. José Carlos Silva?
- Depende, quem é?
- Claudio, do governo.
- Claudio, acho que você já sabe que não tem ninguém aqui com esse nome, certo?
- Ah não, tudo bem, por favor o Zeca do Arco?
- Pois não! Pode falar cidadão!
- Sr. José, acredito que o senhor não tenha prestado muita atenção quando lhe pedi sigilo sobre essa situação.
- Ora, mas por que?
- Primeiro porque o senhor está gritando e todos os vizinhos devem estar ouvindo sua conversa, segundo porque eu estou ouvindo sua esposa lhe perguntando se vai ter que matar alguém. Por favor senhor José, peça para que ela saia e preste muita atenção.
- Sim, sim, desculpe. Pronto, pode falar.
- A presidente fará uma viagem à Manaus amanhã, dia 22 de Março, ela irá tratar de assuntos políticos e fará um discurso sobre os projetos de governo para a região.
- Sim, tudo bem.
- Porém, nós estamos desconfiados de que alguns extremistas farão um ataque contra à nossa representante, por isso mobilizamos toda a força tática da polícia e o exercito, teremos soldados à paisana e policiais se passando por civis.
- Nossa!
- Sim, será armamento pesado, por isso cabe a mim agora te passar sua missão.
O coração de Zeca estava aceleradíssimo, ele estava muito feliz por receber sua missão, sua primeira missão.
- Sou todo ouvidos Mr. C.
- Me chame de Claudio mesmo.
- Desculpe.
- Bem, preste atenção e não anote nada, tudo deve ficar apenas na sua memória. A sua missão é fingir que não sabe de nada, você deverá agir normalmente, como se nós nunca tivéssemos nos falado antes.
- Certo, mas o que eu faço?
- Nada, você não faz nada! Ora Zeca, você é arqueiro, precisamos de artilharia pesada aqui. Fique em sua casa e não diga nada a ninguém, seu país agradece. Tenha um bom dia.
Claudio desliga o telefone.
José não consegue acreditar no que acabara de ouvir, ele não se contenta em não fazer nada, ele quer ajudar, ele quer trabalhar, ele quer é atirar umas flechas e pegar uns bandidos. Como ele já tem informações o bastante ele decide agir.
-Steicy , não me espere para o jantar, vou trabalhar e volto em dois dias.
- Demoro, não esquece de pegar a merda do Sarney antes de sair, tá achando que eu sou sua empregada?!
José limpou os dejetos de seu cachorro e saiu.
Como ele sabia que a presidente estaria em Manaus, ele logo pensou numa maneira de ir para lá. Sua grana não era o bastante para pegar avião e o agente do governo já havia lhe contado que a condução era por conta própria. Então ele pensou em ir de ônibus, mas jamais chegaria a tempo. José se vê num beco sem saída. Como já havia saído de casa ele resolveu parar no botequim da rua de baixo para pensar em algo.
Estava muito calor naquele dia e ele resolve pedir uma cerveja apenas para refrescar. Já no fim da tarde, sem camisa e embriagado José percebe que já havia contado a história de super herói para todos do bar, ele tirava fotos com os filhos do garçon, deixava as pessoas brincarem com o arco, deu autógrafos e gastou o dinheiro da passagem para Manaus. Até que, quando resolve ir embora, um homem se aproxima dele e diz:
- Seu Zeca, eu trabalho na rodoviária, se o senhor precisar de passagem para alguma missão, pode me ligar, prometo sigilo, eu te ajudo e o senhor deixa eu ser tipo o Robin?
- O Robin?
- É, tipo seu ajudante, manja?
- Ah sim, mas como é seu nome, garoto?
- É Robson, mas pode me chamar de Robinson.
- Legal, obrigado pela força Robinson, pena que já tá tarde pra ir pra Manaus, mas com a sua ajuda eu farei qualquer missão de agora em diante.
Então, saindo do bar com seu arco e 299 flechas(uma ele deixou com o filho do garçon), Zeca do arco voltava para a casa com seu mais novo parceiro, Robinson, disposto a lhe ajudar com passagens de ônibus para todo o território nacional. Uma vitória para o herói, que ao chegar em casa não foi notado pela família, mas encontrou uma correspondência do governo que dizia:
"Bom trabalho, Zeca do Arco, missão cumprida.
Manteremos contato."
Mutante Di Amsterdam-FGF
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