domingo, 17 de abril de 2011

Introdução à Zeca Do Arco, o super herói brasileiro.

Introdução:
José Carlos Da Silva é um típico brasileiro, pai de uma menina de nove anos e morador de  um bairro de periferia. A princípio, um cidadão comum, com as dificuldades e obrigações comuns a todos os brasileiros, porém, numa certa manhã, José recebe a visita de um agente do Governo que lhe faz uma proposta de emprego, um emprego peculiar e sigiloso, oferecendo uma oportunidade para José Carlos que já estava desempregado há quase seis meses. O agente diz que o perfil de J.C. é perfeito para a vaga de Arqueiro, atividade que ele exerceu grande parte da sua vida como instrutor, para trabalhar em missões especiais contra a criminalidade. A partir daí, muita confusão e situações inéditas acontecem na vida do brasileiro, a começar pelo fato de ele não poder revelar sua identidade secreta, forçando-o a inventar um nome fictício, depois, ele descobre que nunca poderá entrar em conflito com nenhum meliante, afinal, todo mundo usa arma de fogo nos dias de hoje, e ele é só um arqueiro, para terminar, José descobre que irá receber dois salários mínimos e uma cesta básica se aceitar a vaga, o transporte é por conta dele.
As histórias de Zeca Do Arco serão contadas através de capítulos.
Hoje, o primeiro, contará a iniciação do brasileiro no mundo "encantado" dos super-heróis. Espero que todos gostem e se divirtam com essa minha nova proposta.
Mutante Di Amsterdam-FGF. 

Capítulo 1- Meu nome é Arco, Zeca do Arco.

Mal tinha raiado o dia quando Steicy Silva, esposa de José Carlos Silva , gritou do quintal dos fundos:
-Acorda Zé, levanta que esse seu cachorro vira-lata cagou o quintal inteiro. Anda vem limpar essa merda!
Marcos, que era vizinho do casal e fazia "bicos" como alfaiate de bonecas Barbie logo se manifestou do puxadinho ao lado:
-Cala boca caraio, num tá vendo que tem gente dormindo, são seis da manhã!
Steicy, que não era muito ligada às boas maneiras respondeu:
-Cala essa boca você Marcos, se tem gente dormindo eu não sei, mas você não é gente pra mim. Zé, anda logo e vem limpar isso antes que faça uma loucura aqui.
Ainda deitado, José Carlos Silva, desempregado, se esticava da cabeça aos pés, buscando forças para se levantar. Apesar do começo de manhã conturbado, aquele era mais um dia lindo e promissor para o ex-arqueiro. Ele se levantou e caminhou até o banheiro, estava de camiseta e cueca samba-canção, teve que esperar um pouco até começar a urinar, isso porque José sofre de ereção matinal, apesar de nunca ter se incomodado com isso também. Saiu do banheiro com os dentes escovados e cabelos penteados, foi até a dispensa e pegou seu kit de limpeza, afinal, desde que chegou em casa com Sarney, seu filhote de vira-lata, José é responsável por manter o quintal onde vive o bichinho limpo e na medida do possível, apresentável.
-Bom dia Sarney, vejo que você não poupou espaço essa noite hein, será que a fábrica não para nunca?!
O cãozinho, abanou o rabo mas não saiu da casinha.
Com o sol já bem claro e os pássaros cantando, José foi acordar Luiza, sua única filha de nove anos de idade.
-Lú, Luizinha, Lululululuiza?!Acorda, meu amor.
-Saí, saí daqui seu retardado.
Luiza puxara o gênio da mãe.
-Acorda filha, senão você se atrasa pra escola.
-Tá bom, já vou. Já vou.
Enquanto preparava o lanche para a filha, Steicy assistia seu programa diário matinal, José era responsável por manter a ordem da casa, ele sabia que se dependesse de sua mulher e filha, todos viveriam em um cortiço.
Às sete em ponto a perua escolar buzinava lá fora e Luiza ia para a escola, sobrava então a louça do café da manhã para José lavar, tarefa essa que ele realizava com o maior prazer, ele achava que lavar louça era terapêutico. Quase duas horas mais tarde, enquanto escovava o pelo do Sarney no quintal dos fundos, José é chamado por sua amada, que estava na porta da frente:
-Zé, vem logo que é pra você.
-Quê? Quem é?
-Num sei não caraio, você vai vim ou não?!
-Claro amor, claro, só um minuto.
Quando chegou na sala, ainda com pelos de cachorro grudados na roupa, José Carlos cumprimentou o homem de terno e gravata com um certo receio, notou que ele segurava uma pasta e tinha um papel meio amassado com o endereço dele na mão. O homem pediu educadamente que Steicy se retirasse para que pudesse falar com José à sós.
A moça, apesar de desconfiada saiu, ela também estava achando que o marido estava numa roubada ali.
-Muito bom dia, senhor José Carlos, sou Claudio, trabalho para o Governo e tenho a honra de lhe informar que o senhor foi o escolhido para trabalhar a serviço do seu país.
-Eu? Como assim, não sei fazer nada....
-O senhor foi instrutor de arco e flecha não? Pelo menos é o que consta aqui.
-Sim, sou muito bom nisso, inclusive.
-Pois então, o senhor será o arqueiro oficial do Governo, irá trabalhar com a força tática especial e receberá dois salários mínimos, isso mesmo, eu disse "dois" e mais a cesta básica.
-Mas o que eu devo fazer?
-Ora, não se preocupe, nós entraremos em contato com o senhor e lhe passaremos alguns trabalhos, fora isso, o senhor pode continuar com sua vida normalmente.
José estava quase explodindo de felicidade, ficou tão contente que não conseguiu nem segurar um peido. Ele pensou na sorte que estava tendo, afinal, seu seguro desemprego vencia naquele mês.
-Tudo bem, senhor Claudio, eu aceito, claro, será um prazer servir minha pátria.
-Muito bem, por enquanto é só isso. Ah, claro, precisamos que o senhor arrume uma identidade secreta, não queremos expô-lo assim, o senhor tem família, pode ser perigoso.
-Claro, claro, tem razão....hum...pode me chamar de Arco, Zeca do Arco.
Disse José com o peito cheio de orgulho.
-Mas que ridículo, tem certeza que será isso?
-Ora, tenho sim, por favor.
-Tudo bem, tudo bem, apenas tente não comentar com ninguém essa conversa que tivemos hoje, isso é confidencial. Fique tranquilo que entraremos em contato.Obrigado.
O agente do Governo foi embora e José então fechou a porta se sentindo a pessoa mais especial do mundo todo.
-Mulher, se arruma que nós vamos sair, vamos almoçar fora! Chame sua mãe e sua irmã, chame também o Marcos e todo mundo que a gente conhece, eu conto tudo quando chegarmos na barraca de lanche.

Mutante Di Amsterdam-FGF

Nenhum comentário:

Postar um comentário