Ao passar pelo almoxarifado, ele ouve uns ruídos estranhos que despertam sua curiosidade principalmente pelo fato de a porta estar fechada.
Anésio para em frente a porta, ele era o único funcionário da agência que ficava até aquele horário no banco, o que o fez sentir um pouco de medo. Pensou em bater, mas concluiu que seria ridículo, afinal, qualquer um que estivesse lá dentro estaria errado por princípio.Quando toma coragem e abre de uma vez a porta do almoxarifado, Anésio fica em silêncio. Atônito ele empurra a porta com a mão que a abriu e segue seu caminho com cara de espanto e calado.
O bancário sai da agência e no seu caminho para a casa ele passa pelo bar onde os outros colegas de trabalho o aguardavam com bastante carinho:
- "Aê viado, não vai parar pra tomar uma com os amigos não?!"
Anésio segue seu caminho com a mesma expressão que deixara o banco e chega em casa depois de uma infernal jornada pelos ônibus da cidade.
A empregada ainda estava na casa quando ele chegou, assustada com a aparência do déspota pergunta:
- Ai meu Jesus cristinho, o que houve seu Anésio?!
- O Jorge e o Celso da repartição estavam exibindo os mamilos um para o outro enquanto comiam bolacha recheada!
- Ah tá, olha seu Anésio, já deu minha hora viu. Uma boa noite.
- Mas o Jorge e o Celso...
- Sim, sim, eu ouvi. Acontece que minha religião não autoriza essas putaraiada de aviadado não. O sangue de Jesus tem poder. Passar bem.
E assim, Anésio ficou em casa repetindo a cena em sua mente até a hora de se deitar.
Durante todo o final de semana ele pensou naquilo, mal se alimentou e não tomou banho, estava com nojo de seus próprios mamilos.Na segunda feira, ele tenta esquecer e seguir com sua rotina normalmente, porém, por volta das 15h alguém bate na sala de Anésio como se fosse para falar com ele:
- Toc toc, sr. Anésio Paratectus?
- Eh...sim, sim, pois não. Pode entrar.
Era Jorge, um dos exibidores de mamilo anônimo(EMA).
- Gostaria de saber se o senhor vai com o pessoal para o bar hoje.
- Hoje? Não vou a bar nenhum Jorge, hoje é segunda feira.
- O que?! Hoje é sexta Anésio, tá ficando louco?! Bom...até mais tarde.
- Sexta?!
Anésio olha para a tela do celular e confirma a data, realmente era sexta feira. Olha nos calendários do computador e o calendário de mesa que tem formato de pirâmide e realmente percebe se tratar de uma sexta feira.
- Mas o que é isso?
Ainda atordoado ele finaliza sua rotina e novamente pega sua pasta marron, tranca sua sala e decidido a sair do banco ouve outra vez os barulhos na sala do almoxarifado. Incrédulo, ele abre a porta, fica em silêncio total, fecha a porta e sai do banco.
Ao caminhar apressado para o ponto de ônibus passa pelo bar onde é chamado pelos amigos do banco:- "Aê viado, não vai parar pra tomar uma com os amigos não?!"
Depois de uma odisséia nas linhas circulares do transporte público de sua cidade ele chega em casa onde é questionado por sua empregada que ainda estava em casa:
- Ai meu Jesus cristinho, o que houve seu Anésio?!
- Outra vez, Maria da Graça? Outra vez?
- Outra vez o que dotô?
- Ahhh vê se me esquece.
- Xi, já vi que é melhor eu ir embora, minha religião não aprova esses comportamento de filhadaputisse dos outros não. Passar bem viu, seu Anésio.- Mas o que está acontecendo?
E tudo se repetiu por mais duas semanas, Anésio saia de casa para trabalhar e estava sempre na sexta feira, via sempre os exibidores de mamilos, era chamado com carinho para beber com os amigos e sempre ouvia alguma pregação de sua empregada evangélica.
Até que um dia ele resolveu não abrir a porta do almoxarifado, mudou o caminho do ponto de ônibus e foi para a casa de um amigo até a empregada sair de sua casa. Finalmente parecia que Anésio estava livre do feitiço do tempo, pelo menos desde que saíra do banco nada daquilo havia acontecido. Sentado no sofá de seu amigo Pablo, ele conta a semana estranha que teve e pede licença para usar o banheiro pois a cerveja começava a trabalhar sua bexiga de beberrão.
- Pablo, me dá uma licencinha que vou ao banheiro, sim.
- Fique a vontade, você já sabe o caminho.
Pablo e Anésio eram amigos de longa data.
Então, ao abrir a porta do banheiro, Anésio fica em silêncio. Atônito ele empurra a porta com a mão que a abriu e segue seu caminho com cara de espanto e calado. Sem dar satisfações a Pablo ele sai pela porta da frente.
Ninguém nunca mais viu Anésio, dizem por aí que morreu de hemorragia após cortar os próprios mamilos.
Mutante Di Amsterdam-FGF
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