Reginaldo se achava um cara engraçado, sempre contava piadas e fazia muitas brincadeiras com as pessoas que dividiam o mundo com ele.O que Reginaldo não sabia é que ele não tinha o menor talento para o humor, na verdade, Reginaldo era conhecido sem seu conhecimento como "O mala", ninguém gostava de tê-lo por perto porque sabia que seria chata a sua companhia.
No mercado ele era o cara que abria o molho de tomate e passava o produto no rosto para simular um acidente, no elevador então era a encarnação da inconveniência, mas nunca ninguém havia dito para Reginaldo que não era engraçado e assim, anos se passaram e nada de mudança no jeito chato de Reginaldo.
Certa vez enquanto assistia TV na casa de sua avó ele descobriu o Stand Up, modelo de comédia em pé, num quadro muito ruim que passava nesses programas dominicais.
Encantado e decidido ele resolve entrar nessa e ser o rei do Stand up comedy.
A primeira apresentação foi num churrasco entre amigos:
- Boa tarde galera, pra quem não me conhece sou o Reginaldo, ou Odlaniger, para quem tem tumor e lê ao contrário!
Silêncio total, além das caras de indignação- Bom, quem é que não gosta de rir não é mesmo, todo mundo gosta de rir, a não ser quem tá em baixo dágua não é mesmo, senão morre afogado!
Mais uma vez ninguém riu.- Tô vendo que a platéia tá dificultando hoje, mas beleza, artista é assim mesmo, tem dia que acerta tem dia que não, é como se diz né, "ossos do hospício"!
Até que uma senhora que estava se servindo no churrasco perguntou:
- O senhor está nos chamando de loucos?
- Eu? Não minha senhora, no seu caso eu ficaria calmo para não sujar a fralda!
Nesse momento, o filho da senhora que era lutador profissional se levanta e por questão de bom senso a turma encerra o show de Reginaldo e pede para ele sair da festa.
Um pouco chateado, ele se senta no banco do ponto de ônibus e questiona seu talento de humorista, Reginaldo percebe que não é engraçado, lembra de todas as piadas que contou e associa a fisionomia das pessoas que as ouviram, ele percebe que nunca fora engraçado.
Então, o ônibus de Reginaldo chega, mas ele não sobe, desiste de voltar para a casa e triste tenta pensar em uma profissão nova. Várias opções passam pela cabeça de Reginaldo, mas nenhuma delas o agrada então ele se levanta e caminha sem rumo pelo bairro até que encontra uma das pessoas do churrasco que estava indo embora, um pouco tímido ele pergunta:
- Com licença, senhor, por acaso assistiu a minha apresentação?
- Sim, infelizmente sim, por que?
- Sou tão ruim assim?
- É sim, você é o pior que eu já vi.
- Poxa, obrigado pela sinceridade. Alguma dica?
- Desista.
- Tá bem, obrigado. Ah sim, uma última pergunta, o que o senhor faz da vida?
- Faço consultoria e trabalho numa grande rede de bancos.
- O senhor é bom no que faz?
- Sim, muito bom. Veja meu carro estacionado ali, aquele carro me custou mais de duzentos mil reais.
- Nossa, é muito dinheiro, acho que nunca o terei.
- Não se preocupe, você não precisa dele, você tem o seu humor. Muito ruim, é verdade, mas ainda assim você o tem. E eu, o que tenho a não ser uma posição social?
- O senhor não tem senso de humor?
- Nunca tive, eu não me lembro quando foi a última vez que eu sorri.
- Que pena, que pena. Bom, espero que sorria em breve.
- Obrigado, espero que não desista de melhorar seu humor.
- Eu não irei, obrigado. Até logo.
- Até logo.
Satisfeito, Reginaldo prepara seu novo texto para apresentar no próximo churrasco entre amigos.
Mutante Di Amsterdam-FGF
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