segunda-feira, 4 de julho de 2011

O bêbado e o caso do oficial McMannos

Na porta de uma taverna tipicamente inglesa, há uma correria intensa e desorganizada, onde bêbados e cortesãs tentam sair às pressas para se protegerem dos ataques de Hupert Brightstorm, um poeta local que se transforma num furacão quando extrapola os limites da sobriedade e novamente estava quebrando o interior do local onde os outros tentavam se entreter.
- Afinal, você vai me pagar ou não os copos que quebrou, seu bêbado?!
- Nenhum centavo, sua sóbria! Ahahahaha. 
- Saia já daqui, não quero mais saber de você entrando no meu comércio para destruir a paz de todos e minha mobília, vagabundo infame.
- Vou sair mesmo, ninguém merece a cerveja de merda que servem nessa pocilga!
- Vá embora! Saia já daqui.
Então, como já ocorrera outras vezes, Hupert deixa a taverna e vai se deitar sob uma árvore que está há pelo menos oitenta anos no bosque das orquídeas, no centro do vilarejo.
Por volta das duas horas da madrugada, Scott McMannos, o guarda de plantão, passa pelo bosque acompanhado de seu cachorro Rudolf e sua amante Josephine quando é obrigado a parar e averiguar o corpo que estava jogado sem explicação aos pés da árvore.
- Está bêbado ou morto? Responda em nome da lei.
Obviamente, Hupert adormecera de maneira bruta e profunda, do jeito que só mesmo aqueles que se embebedam de maneira demasiada extraordinária conseguem adormecer.
- Josephine, minha querida, volte para seu marido sim. Essa noite terei trabalho com esse aqui, não sei nem se está vivo. Me perdoe querida, sei que não é fácil dar explicações todas as noites para seu esposo, mas hoje não poderei lhe dar a atenção que mereces. Vá embora antes que alguém nos veja.
- Oh Scott, meus pesares não são maiores que meus desejos. Deixe que nos vejam, não me importo em pagar o preço por amar sem ser amada por meu marido.
- Mas eu me importo e muito, além do mais posso perder o emprego se um escândalo desses vaza por aí. Vá para a sua casa querida, nos vemos pela manhã.
Então, sem a companhia doce de sua amante e com o cachorro como tira colo, McMannos entra no bosque das orquídeas a fim de acordar, ou enterrar o homem que ali está.
Hupert parece se mexer um pouco ao ouvir os passos do policial, então acorda de vez quando lhe ecoa aos ouvidos os latidos ferozes de Rudolf, o cão policial.
- Mas o que está acontecendo, já disse que não fui eu!
- Calma senhor, está tudo sob controle, sou o oficial McMannos e este aqui é Rudolf, viemos ver em que condições o senhor está para podermos entender o porque de um homem adormecer aos pés de uma árvore com um frio desses.
- Está bem, eu bebi um pouco além da conta e não percebi onde estava. Agora se me der licença, estou cansado ainda e não lembro onde moro, passar bem, bem longe daqui.
- Temo que não, senhor. Levante-se em nome da lei, vou leva-lo a delegacia imediatamente. Vamos.
Ainda resmungando e começando a retomar a consciência, Hupert acompanha o oficial e seu cão, sentindo um pouco de frio nas pontas dos pés.
Na delegacia, McMannos o obriga a repetir exatamente o que houve. Então ele começa:
- Muito bem, meu nome é Hupert Brightstorm, sou o poeta local mais incompreendido de toda a Inglaterra, vivo com uma mulher que definitivamente não me ama e me deixa sozinho quase todas as noites com desculpas tolas e inaceitáveis, do tipo que não enganariam nem mesmo a uma criança cujo os dentes ainda são de leite. Nunca consigo publicar meus poemas, ganho tão pouco que prefiro nem mencionar minha renda, portanto eu vivo a beber, pois esta é minha única alegria nessa vida. Além do mais, está cada vez maior o número de pessoas que dizem encontrar minha mulher pelas noites com outro homem, acho até que se trata de um policial, com todo o respeito oficial, mas se descubro não sei o que sou capaz de fazer.
- Tudo bem, senhor Hupert. O senhor está dispensado, muito obrigado e uma boa noite. Lembranças a sua esposa, diga-lhe que foi o McMannos quem mandou.
- Pois não, obrigado, boa noite.   



Mutante Di Amsterdam-FGF


  

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