Em uma típica tarde de sol, numa linda e osiosa quarta-feira, estava eu a tôa como qualquer cara de vinte e três anos de idade, sentado no banco do parque da companhia de água assistindo a movimentação da lanchonete do outro lado da rua.
Trata-se de uma lanchonete enorme e muito movimentada, fica ao lado da emissora de televisão, muitos a conhecem e alguns já a frequentaram, assim como eu.
Enquanto ouvia o barulho das folhas balançando com o vento, onde a única coisa que me tirava a atenção era um desses corredores amador que passava pela trilha de terra que ficava às margens do meu banco, eu a vi pela primeira vez.
Ela era uma mendiga, ou "moradora de rua", como gostava de ser chamada, ela corria no passeio de fronte à emissora. Na porta do enorme prédio comercial, Socorro parou, abaixou sua calça de moleton rasgada, ficou em posição de cócoras e defecou rapidamente enquanto alguns funcionários desciam as escadas do prédio. Quando terminou seus afazeres, o que por sinal fora de uma rapidez impressionante, ela se levantou já com as calças nas mãos e deixou o lugar correndo e sorrindo de maneira alucinada e débil, nitidamente sob o uso de substâncias tóxicas.
Apesar da fétida primeira impressão, eu estava apaixonado, não por ser um daqueles caras que tem fetiche e são adeptos da coprofagia, mas por notar algo que ninguém havia notado na incrível Socorro, a maciez de sua pele escurecida pelo tempo que passara sem se banhar e um pouco grossa por conta de algumas feridas decorrentes de bactérias comuns.
Ela era muito bonita e eu a segui pela louca São Paulo até chegarmos a uma rua próxima ao metrô consolação, onde ela parou e se jogou ao chão. Aproveitando a deixa, eu me aproximei e perguntei seu nome, ela ria sem parar e fazia barulhos com a boca que pareciam ser característicos de possessão, mas eu ria também, queria convencê-la de que não a faria mal, tudo o que eu queria era levá-la para a casa, dar-lhe um bom banho e fazer amor com aquela mendiga gostosa.Dentre os resmungos e grunhidos, ouvi o nome Socorro e assim a chamei, apesar do forte cheiro de urina, de perto ela era ainda mais bonita e sua pele ainda mais admirável. Eu comprei um pãozinho com presunto pra ela comer a fim de fazê-la recuperar um pouco a consciência, queria que ela soubesse quem era o homem que estava prestes a despi-la, não sou um tarado.
Quando ela parecia estar melhor, me olhou com os olhos puros de uma moça perdida que não consegue mais encontrar sua casa, deu vontade de beijar-lhe a boca, mas duvido que alguém conseguisse, tava foda. Então contei para Socorro a minha intenção e perguntei se ela concordava em me dar prazer em troca de um banho, comida e roupas novas, afinal, é isso que toda mulher quer, seja ela mendiga ou madame certo?
Ela estava decidida a aceitar, tive certeza disso, mas de repente veio um soldado da polícia militar e a levou de mim sem nenhuma explicação.
Depois disso, nunca mais encontrei a Socorro, lembro que no dia ainda voltei à porta da emissora para olhar o seu belo cocozinho, era a última lembrança que eu teria daquela que talvez seria o meu grande amor, a bela e mal cheirosa Socorro.
Mutante Di Amsterdam-FGF
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