sexta-feira, 22 de julho de 2011

O homem que lia garrafas

Do misticismo e suas vertentes, muitos já ouviram falar. Alguns até presenciaram fatos e apresentações daqueles que dizem obter provisões e afirmam com demasiada convicção manter contato com o extrafisico.
Mas de todos os meios já divulgados pelos ritos populares, nenhum chamou mais atenção que o do homem que lia garrafas.
Trata-se de um homem que viveu no século XVI, mais precisamente nos anos de 1516 à 1558, onde foi dado como morto após seu desaparecimento.
Seu nome era Felícius Lear, mais conhecido pela aristrocracia européia como o Mago in vitro, ou mago de vidro, por se tratar de um homem que dizia ter o poder de ler garrafas.
Alguns documentos da época narram suas atividades como "extraordinárias" e ainda, "magníficas", isso porque ele era capaz de prever o futuro de uma pessoa, se essa possuísse uma garrafa de vidro por mais de dois anos.
O Mago de vidro, quebrava a garrafa do cidadão atirando-a ao chão e da maneira que ela ficasse ele lia o fundo da garrafa, assim, era capaz de descrever todo o futuro dos seus clientes.
O seguinte diálogo foi tirado de um documento autêntico, ou não, com a data de 1533, onde temos um exemplo da atividade de Felicius.
" um homem se aproxima do Mago para lhe questionar sobre seu futuro, a partir de agora irei relatar todo o diálogo:
- Boa tarde, Mago de vidro.
- Pois sim, cidadão.
- Preciso que o senhor me diga o que vê em meu futuro.
- Trouxestes a garrafa?
- Sim, está aqui, era a minha garrafa de mel.
- De mel? Interessante, por favor, me entregue a garrafa.
- Sim, aqui está.
Nesse momento, o mago joga a garrafa no chão, recolhe a parte quebrada que detém o fundo da garrafa e analisando-a diz:
- Sua vida será doce, doce como o mel que fora cultivado pelos camponeses e cuidadosamente engarrafado e pelos artesãos.
- Nossa, o senhor viu todo esse processo?
- Não, é que eu também trabalho com mel.
- Sim, entendo, mas quebrar uma garrafa de mel e dizer que a vida será doce não faz do senhor um mago, na verdade isso parece mais uma campanha para divulgar o mel.
- Ora, como ousas duvidar de meus talentos, por acaso queres que eu lhe enfeitice ou coisa do tipo?!
- Não, não, perdão. De maneira nenhuma, é que eu queria mais detalhes.
- Mais detalhes? Muito bem, nesse caso devo dizer-lhe que tu irás morrer.
- Sim, que eu vou morrer eu sei, até hoje não tivemos caso de imortalidade por aqui, morrer todos iremos. É só isso que o senhor sabe?
- Não, mas devo partir agora, preciso me concentrar em outra coisa. Adeus, meu bom homem.
E assim, Felicius foge pela multidão que ofendida começa a vaiá-lo. Alguns exigem suas garrafas que foram quebradas de volta, ele ignora as pessoas e parte para outro condado, assim tem sido a vida do Mago de vidro."
Portanto, ao que parece, nem todos confirmavam o misticismo do Mago de vidro, aqueles que foram atendidos de maneira satisfatória por ele, prestam homenagens até as gerações atuais, colocando em cima de seus muros cacos de vidros quebrados cimentados ao invés de lanças, isso não apenas por ser um meio barato de proteger suas propriedades, mas para agradecer e homenagear o peculiar e polêmico Felícius Lear, o homem que lia garrafas.


Mutante Di Amsterdam-FGF


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