terça-feira, 19 de julho de 2011

Zeca do Arco capítulo 4: O esquema do Ministro

A cidade estava calma demais, os pássaros cantavam na janela de Jose Carlos da Silva, o super herói brasileiro, era um Domingo tipicamente dominical, até Steicy acordar:
- Porra de passarinho, do carai. Zé, acorda e vai matar esses bicho, anda!
- O quê? Oi? Que foi amor?
- Ah..agora já perdi o sono, seu lerdo.
- Bom dia, então?
Sem responder Steicy Silva se levanta e vai assistir TV até Zeca do Arco lhe preparar o desjejum, era um Domingo muito especial para a família Silva porque na Quarta feira a pequena Luiza iria completar quinze anos de idade. Sabendo do novo cargo do pai, a menina não poupou exigências para sua festa de debutante, eis a lista:
-Um bolo de três andares
-Buffet
-Audio e vídeo profissional
-Um vestido igual ao da princesa inglesa, Kate.
-A presença de TODOS os integrantes do Restart
-Valsa com Fiuk
-Cabeleireiro da Lady Gaga
-Camarão e Champanhe
-Queima de fogos com o nome "Luiza"
-PlayStation 3 de lembrança para os convidados.
Ao terminar de ler a lista de luiza, Jose Carlos começou a chorar, ele não sabia como explicar para sua filha que apesar de ser um super herói, ele ganhava apenas dois salários mínimos e ainda tinha que pagar a condução. Desesperado, ele liga para Claudio e pede trabalho extra, a fim de ganhar mais dinheiro.
- Claudio, pelo amor de Deus, é o aniversário da minha filha!
- Ora sr. Zeca do Arco, ponha limites na menina, ela precisa de limites.
- Mas ela puxou à mãe!
- Nesse caso eu sinto muito, vou ver o que consigo e te ligo.
- Muito obrigado, muito obrigado.
- "Tá chorando aí, bonequinha?"
- Claudio, é a minha mulher, tenho que desligar, obrigado.
 No mesmo dia, Claudio retorna a ligação e Zeca precisa parar de lixar os pés de Steicy para atendê-lo, ela não gosta da atitude mas permite.
-Alô, Claudio?
-Zeca, é o seguinte, estamos desconfiados que o Ministro da casa civil está roubando verba do governo. Sua missão é investigar o caso e denunciá-lo se for verdade, se precisar use seu arco, mas apenas para intimidá-lo, ok?
-Mas ele não faria isso!
-Esperamos que não...
-Certo vou segui-lo dia e noite, usarei todos os meus disfarces, ele nem vai notar a minha presença.
-Muito bem, faça como achar melhor, aguardamos seu contato, boa tarde.
-Boa tarde.
Imediatamente Zeca liga para seu fiel companheiro, Robinson, o funcionário da rodoviária e consegue passagens para Brasília, onde reside o Ministro.
Quando chegou na capital, Zeca do Arco já tinha todo o roteiro pronto, sabia todos os lugares que o ministro passaria, então, ele fez a barba, vestiu uma roupa bem feminina, usou uma peruca, passou baton e resolveu assumir outra identidade para não ser notado, mesmo sabendo que o Ministro sequer sabia de sua existência. Durante os dois primeiros dias, ele se sentia envergonhado com as cantadas que recebia dos operários locais, mas depois começou a achar graça e até jogava beijinhos quando a cantada era boa. Ao terminar a semana, Zeca recebeu um telegrama em seu quarto que dizia para ele estar no restaurante do hotel as 19h. Ansioso ele resolveu pôr o vestido preto, mas depois notou que ao final da carta dizia: "venha como José Carlos, pelo amor de Deus".
Ao chegar no restaurante, se sentou na mesa 7, pediu uma cerveja e aguardou. Ficou lá por uns 45 minutos, mas foi o bastante para se sentir um pouco "alto" por conta das cinco latinhas que bebera, até que se senta em sua mesa um rapaz de camiseta de marca, calça estilo esporte fino e um chapéu igual ao do Indiana Jones, que diz:
-Boa noite, Zeca do Arco.
-Boa noite, homem misterioso. Esse chapéu é mesmo igual ao do Indiana?!
-Sim, mas não vim para isso.
Zeca do Arco ria de maneira exagerada para a situação.
-Vim lhe falar sobre o Ministro.
-O Ministro?Sei, sei, o que tem ele? Está bem?
-Sim, ele vai te matar amanhã, ao meio dia.
-O quê?! Ah meu! O que que eu fiz?
-Todos sabemos que você passou a semana toda seguindo o Ministro com aqueles trajes ridículos.
-Tem quem goste tá?
-Não me importa!
-Certo, o que posso fazer para não ser morto?
-Bom, o Ministro é um homem muito generoso, me mandou aqui para lhe oferecer R$ 100,000 para que você diga ao governo que não há irregularidade alguma na renda do Ministro. O que você me diz?
- Cem mil?!Nossa! Mas ele está disposto a gastar tanto assim comigo?
-Não se preocupe, o dinheiro não é dele.
-Ah sim, tudo bem. Mas eu teria que mentir, porque vi o tamanho do estrago que ele anda fazendo com o dinheiro público. Isso não seria correto!
-Certo, certo, pelo jeito o senhor aprende rápido, Zeca do Arco. Quanto seria correto para sua consciência não pesar?
-Eu diria que uns R$150,000 me faria concordar com o Ministro.
-O quê?! Hum, seu corrupto!
-Quem fala é que é!
-Mas que imbecil!
-Vai aceitar ou não, Indiana?
-Tá bem, mas com uma condição, você parte amanhã e avisa o governo que o Ministro é inocente, está claro?
-Sim, está.
-Adeus, o dinheiro está sendo colocado em seu quarto enquanto falamos, pode voltar
-Obrigado, mas que seja a ultima coisa errada que o Ministro faz hein.
-Não.
-Tá bem...eu tinha que dizer isso, é de praxe.
E assim, Zeca do Arco retornou a sua casa no dia seguinte e pôde dar a festa dos sonhos de Luiza, ele imaginou que toda aquela corrupção era contra os seus princípios, mas sua filha estava acima de tudo isso. Ele conta com orgulho a todos os amigos como a festa da filha deve ter ficado linda, isso porque ela não o deixou entrar no Buffet, mas tudo bem, ele ouvia a festa do botequim ao lado, com o copo e o peito cheio de orgulho de ser o líder da família Silva, a família do herói brasileiro.


Mutante Di Amsterdam-FGF

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